"Só leo este blogue para saber o que non teño que ver", Martin Pawley (días estranhos)

Archives for Outubro, 2008

Malíssimo Payne

Nota preliminar. Minutos antes de ver o filme fum testemunha dumha cena dantesca: Duas salas dos multicines vaziarom-se diante minha, expulsando umha manda de nenos e pre-adolescentes acompanhados de maçados progenitores, e adolescentes maçadores, extasiados e excitados após o ritae de «High School Musical 3″. Entenderám que foi umha experiência terrível para umha pessoa que pensa que os tratados internacionais contra o emprego de armas químicas e bacteriológicas nom se deveriam aplicar ao público de -e os actores implicados em- filmes musicais. Ao menos isso amorteceu um pouco o shock dos 100 minutos seguintes.

Max Payne

Agora a crítica, e vou ser mui explícito: O filme e malíssimo em todas as suas facetas. É malíssimo como história cinematográfica, e malíssimo como filme de acçom, e malíssimo como adaptaçom dum vídeo-jogo «tam peliculeiro», é malíssimo como produto visual. Há oito anos que desinstalei o jogo original do ordenador mas se algo lembro com claridade é a sua contundência narrativa: «Este jogo da para um bom filme» pensou muita gente coma mim. A trama, mistura de comic negríssimo e cine de acçom, que o escritor finês Sami Järvi souvo introduzir no produto de Remedy Enterteiment conseguiu converter um TPS (Third-person shooter, ou Atirador em terceira pessoa) normalinho numha verdadeira homenagem para esse mesmo mundo do comic policial americano e os filmes de John Woo. Se calhar o maior mérito da equipa da produtora finesa foi converterem umha ferramenta visual inovadora -mas que podia resultar cansativa para o jogador- como o bullet time (tempo bala) em parte dumha trama complexa e escura, que misturava a corrupçom policial e social, a mitologia nórdica, as drogas de desenho, a prostituiçom, o ocultismo, e umha belíssima combinaçom do ambiente industrial-urbano e a pantasmal aura da eterna tormenta de neve. Todo isso conseguiu que eu goza-se da experiência de jogo de Max Payne. E por algumha razom, com todo esse material de qualidade, com todo essa trama e esse ambiente pensado para o próprio cine e a ajuda do pŕopio Sami Järvi -nos créditos como Sam Lake-, a adaptaçom de John Moore e Beau Thorne está na linha de todas as versons para a grande tela de video-jogos: Um produto vazio de conteúdo, com narraçom pobre, actores-maniquies que movem personagens sem pessoalidade por um ambiente falso e plastificado.

Max Payne

A culpa nom é dumhas mudanças -mínimas- ou omissons na trama -como a obsessom ocultista de Lupino que tanto ambiente criou no jogo-, mas do próprio produto em conjunto. A força visual das quadrinhos-frames do original, no que o contraste entre a cinza das ruas, o branco escurecido das neves e o vermelho ruibo do sangue fica na retina do jogador é transladado para o ecrám do cinema como se levasse umha capa de plástico de CGI, irreal, mas nom «irreal do bo». Nom há nada onírico nas valkyrias dos pesadelos de Payne, só artificio digital barato que rompe o pouco tom narrativo do filme. O mesmo acontece co bullet time: De ferramenta narrativa e visual poderosa, passa para momento de «chiscadela para os jogadores» que de tam mal gravado, produzido e introduzido na trama produz vergonha. Porém, por muito que esses dous elementos visuais da trama fossem de mairo qualidade, isso nom amanharia o desordenado e pouco lúcido trabalho de guiom. E ainda com um um envelope visual aceitável e um guiom que conservasse a qualidade original toparíamos co grande problema do filme: A iniquidade dos actores. Mark Wahlberg demonstra mais umha vez que a sua carreira como actor é prescindível, e que todos ficaríamos agradecidos se trabalhasse mais como produtor -da excelente Entourage, por exemplo- e nom cometesse estas atrocidades interpretativas. Só de pensar na sua cara apampada na pele de Jack Salmon na futura The Lovely Bones (2009) perdo a pouca confiánça que conservava no cinema de Hollywood. De Amaury Nolasco (Jack Lupino) mantém a mesma faciana todo o filme, com umha mirada que demonstra que confundiu a enajenaçom mental do seu personagem por mor das drogas com umha liquaçom da massa encefálica. Beau Bridges confirma o que muitos pensamos: Que a sua interpretaçom em O bom alemán (2006) foi uma excepçom e que só se desenvolve bem na comédia televisiva.

Max Payne

Como nota final quero fazer um pequeno spoiler (do video-jogo e do filme) que cuido necessário para caracterizar a perda de força da adaptaçom: Umha(s) das cenas mais poderosas -desde o dimensom narrativa , «molestas» para jogar e intranqüilizantes som os os passeios oníricos pola velha casa dos Payne onde a sua mulher e filha (transmutado no filme em filho) morrerom assassinados. Nos primeiros, desde os sonhos culpáveis de Max, já resulta desassossegante, mas quando sofre a overdosse da droga Valkyr os recordos mudam num retrato de pesadelo que se deforma cada vez mais segundo está mais perto do quarto da criança. Os corredores som eternos, tingidos de sangue, as perspectivas e as sombras acurralam o personagem e a sensaçom dumha resoluçom terrível é constante. Todo isto acompanhado no choro in crescendo do bebe, que chega a se converter num berro desesperado -que realmente metia medo- que obrigava até a baixar o volume dos alto-falantes. A cena rematava com um labirinto inexplicável que ocupava o lugar do quarto da criatura, e que castigava com berros ainda mais doidos qualquer equivocaçom no percorrido -escuro e intuitivo-. Pois bem esta cena, que para muitos constitui um verdadeiro logro narrativo na história dos video-jogos, é substituída no filme primeiro por umha reconstruçom literal do crime -no que se suprime o sangue e qualquer marca de violência física, os clássicos mortos intactos de Hollywood- e depois por visons «encelestias» cheias de cores calidas e promessa de redençom para Payne. Cuido que com isto os jogadores originais ficaram desanimados, com razom, de gastarem os seus quartos em tempos de crise, e os possíveis espectadores despistados ficam avisados.

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o reino proibido

Que podemos dizer deO Reino Proibido? Partide da ideia de que eu adoro os filmes de artes marciais e a literatura fantástica-religiosa -que ao menos na China som conceitos que sempre estão ligados- asiática, e que sou dessa castre de cinéfilos que cuidam que, de existirem de forma pura, os géneros cinematográficos merecem umha leitura na sua própria linguagem.

Umha crítica profissional e nom especializada falaria deste produto como umha reuniom de amigos entre Jackie Chan e Jet Li, identificados como os sucessores modernos desse Bruce Lee idolatrado em Ocidente, que tem como resultado um filme de malabarismo marcial e fantasia digital que nom achega muito mais entretém, com ziguezagues narrativos e umha pouca acertada direçom. Se calhar é um bom analise se o crítico tem como marco referencial umha escolha de filmes de artes marciais digeridos pola cultura americana (As próprias obras em América dos protagonistas e os filmes de Lee), as mostras do taoismo-digital da última década (Tigre e Dragom, A Casa das Dagas Voladoras…) e sobre todo umhas ferramentas e referentes adaptados ao contexto ocidental. E é certo, se analisamos «The Forbidden Kingdom» como a continuaçom dessa estirpe fílmica e cuidamos que nom tem outra dimensom ou intençom, entom podemos afirmar que é um filme mediócre e pouco original, mas divertido. Porém eu considero que existe outra via de observaçom e crítica, que nom tem que dar por força melhor resultado, mas é mais justa com as expectativas dos criadores do filme.

o reino proibido

Nom é um tópico dizer que o filme é umha homenagem continua para umha parte mui concreta da filmografia de artes marciais orientais e da cultura escrita e oral da China. As narraçons das lendas populares chinesas, e que tenhem como protagonista quase absoluto a Sun Wukong (O Rei Mono). Protagonista absoluto de centos de lentas, histórias populares, obras teatrais e sobre todo da grande obra literária chinesa A Viagem ao Oeste. Nom podo fazer cá um resumo dumha história gigantesca, que só na sua versom de cânon conforma mais dum milheiro de folhas, mas cumpre lembrar que é a narraçom da viagem espiritual dum jovem monge chinês (Xuanzang) até a India, na procura dos manuscritos do Budismo Theravada -conhecidos como os Canon Pali-, que permitiran recuperar a «boa prática religiosa» na China. O protagonista original, inexperto e débil, pronto é despraçado polos companheiros míticos que os deuses escolhem para o acompanhar e proteger. E entre eles um destaca: O Rei Mono. A novela pode ser analisada em muitos níveis, desde o conto popular, até o manuscrito de metáfora religiosa (E até este nível conta com duas leituras paralelas: A doutrina budista da peregrinaçóm, e o conceito taoista da alquimia interior). E como homenagem o filme recolhe os traços diferencias da narrativa dessa magna obra e construe, intencionada-mente ou nom, um reflexo modernizado do sistema de níveis de interpretaçom.

o reino proibido

Situada cronológica-mente num ponto mui concreta da «Viagem…», quando o Rei Mono acada o favor-ódio do Emperador de Jade e luta durante muito tempo contra os deuses do Reino Celestial, que nom aturam a natureza irrespetuosa da criatura. A história contada é totalmente inventada, mas segue a linha dos centos de narraçons apócrifas que se contarom durante 1000 anos ao caróm da lareira em China. É umha mais das aventuras de Sun Wukong, como força da indisciplina total, até que o próprio Budha tenha que intervir e encerrar a criatura até o sua viagem de redençom pessoal. Atrapado polo Senhor da Guerra de Jade tem que aguardar 500 para que um «Viageiro» profetizado traia de volta o seu bastom ( A Ruyi Jingu Bang, também protagonista de centos de histórias próprias) e libere o seu poder. Assim um jovem fam dos filmes de Kung-Fu é levado até o Reino Medio para começar umha viagem para liberar o espírito do Rei Mono, acompanhado doutros personagens clássicos: Um inmortal Taoista sempre bêbado, um monge silencioso e puro e umha rapariga mortal na procura de vingança. Um exemplo clássico e até aborrecido de «viagem iniciática» diriam alguns críticos,umha excelente re-leitura da própria viagem «futura» de Sun. Se a «Grande história» da «Viagem a Ocidente» remata coa liberaçom espiritual do Rei Mono, esta pequena viagem é a liberaçom física -e também a liberaçom do povo sob o domínio do Senhor da Guerra. Se essa interpretaçom do filme é correcta nom nos deve estranhar que o nove do jovem cinéfilo convertido em lutador seja Jason Triptikas, quando os textos sagrados budistas também som chamados Triptikas no sânscrito original. Assim a viagem espiritual do Rei Mono cara os textos, disfarçada na obra original como viagem física, é novamente substituída por umha viagem mundana desta vez cara o próprio Sun Wukong. Subtil? Nom, chinês.
Com todo, nom deixem que essa analise literária e filosófica consoma todo o visionado do filme. É só umha das moreias de referências que convertem, por momentos, a fita numha delícia para afecioados. Exércitos imperiais malvados, mosteiros de monges marciais, lutadores bêbados, malvadas e sensuais inimigas, elixires mágicos e sobretodo, artes marciais (numha justa proporçom do malabarismo de Chang e a contundência de Lee). Até existem referência para o próprio staff do filme: Num momento do mesmo, numha clássica sequência de adestramento, Jasen enumera golpes e cenas clássicas do cinema de artes marciais, entre elas A Palma de Buda, umha das obras da etapa oriental do coreógrafo do próprio filme,o mítico Yuen Woo-ping, e um dos primeiros filmes de Chang. Até poderíamos lembrar que nom é a primeira vez que Chang fai de lutador bêbado, ou até de aprendiz desse mesmo lutador… mas nom quero estender esta entrada mais. Só dizer, como resumo, que cuido que os principais erros do filme som filhos dum mal entendimento entre as partes «orientais» (Chang, Lee, Woo-Ping e o próprio trasfondo da história… quiça demasiado experimentados e autoreferenciais) e as ocidentais (Rob Minkoff, director também de Stuart Little, e John Fusco, guionista… totalmente noveis nestes trabalhos e em quase todo).


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John Rambo Bovino

“Cona! Pero se está bovino!”- berrou asustada a Raiña dos Mortos ó aparecer na pantalla Sly Stallone encarnando por cuarta vez ó arquetipo definitivo do heroe de acción: John Rambo.

E era ben certo. A magna presenza física (a hormona GH fai marabillas) do actor de 62 (!) anos segue intimidando e admirando á vez. Rambo destila ameaza física en cada movemento, e neste derradeiro filme esta ameaza non se queda tan só niso, senon que se convirte nas máis violentas, realistas e ‘casqueriles’ secuencias bélicas vistas dende… Salvar ó soldado Ryan? Non, iso foi tan só un conto infantil en comparación.

A historia non é complexa, nin debería selo tendo unha lenda como Rambo de protagonista. O malpocado Rambo, aínda perdido na negación do seu propio ser, atópase na fronteira de Burma facendo chapuzas para os chinoides habitantes do lugar cando unha cuadrilla de benintencionados e profundamente estúpidos misioneiros brancos lle piden que os guíe cara o país en guerra. E entón ocorre o que sempre pasa cando se pretende facer algo tan só con ideais, e sen contar cunha compañía de infantería para darlles validez: que os pérfidos militares de Myanmar (fillos de puta en grado extremo) os apresan logo de pasar polo gume do machete a toda unha aldea.

O pastor da igrexa dos anteriores, entrando por fin en razón, decide enviar a un grupiño de mercenarios a sacalos dese inferno, e Rambo (muller loira de por medio) únese a eles.

Rambo 4 Deus da Guerra

Dende este momento o noso entrañable protagonista demostra e vai aceptando paulatinamente o que en realidade é: a encarnación na Terra dalgún terrible Deus da Guerra. A cantidade de tralla que reparte e o estilo furibundo con que o fai pagan a pena velos. E iso que só leva con él o seu tradicional arco composto e un ferro afiado! Pero ó longo da largometraxe consegue responder a algunha das dúbidas que sempre tiven, como: Que fai cun home o impacto dunha ametralladora do .50 a curto alcance? A resposta é: miudos (4).

Rambo 4 miudos

En fin só podo dicir como conclusión que, a pesares de ser un filme do que non agardaba nada, Rambo logrou satisfacer a miña innata sede de sangue por algún tempo ofrecendo algunhas das secuencias de acción máis traballadas e impresionantes que se viron en anos. Duras e arrepiantes si, pero claro, non poderiamos agardar que a nosa nova e sanguenta deidade guerreira se comportase de xeito máis suave, non?

Yann Breoc

Tráiler de The Uninvited

The Uninvited

Aquí­ podedes ver o tráiler de The Uninvited, segundo din na nova remake da coreana Dúas irmás, inda que a min non se me parecen nada.

Un par de sustos imos levar, mais cando un tráiler ten que durar máis de dous minutos non é un bo sinal.

Un par de pequenos reclamos son Elizabeth Banks e David Strathaim. Dirixen os irmáns Charles e Thomas Guard. Estrea: 24 de abril do 2009

Non confundir con The Uninvited (Os Intrusos, 1944) ou The Uninvited (Jelangkung, 2001)

Vía CinemaBlend

 

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