"Só leo este blogue para saber o que non teño que ver", Martin Pawley (días estranhos)

Malíssimo Payne

Nota preliminar. Minutos antes de ver o filme fum testemunha dumha cena dantesca: Duas salas dos multicines vaziarom-se diante minha, expulsando umha manda de nenos e pre-adolescentes acompanhados de maçados progenitores, e adolescentes maçadores, extasiados e excitados após o ritae de “High School Musical 3”. Entenderám que foi umha experiência terrível para umha pessoa que pensa que os tratados internacionais contra o emprego de armas químicas e bacteriológicas nom se deveriam aplicar ao público de -e os actores implicados em- filmes musicais. Ao menos isso amorteceu um pouco o shock dos 100 minutos seguintes.

Max Payne

Agora a crítica, e vou ser mui explícito: O filme e malíssimo em todas as suas facetas. É malíssimo como história cinematográfica, e malíssimo como filme de acçom, e malíssimo como adaptaçom dum vídeo-jogo “tam peliculeiro”, é malíssimo como produto visual. Há oito anos que desinstalei o jogo original do ordenador mas se algo lembro com claridade é a sua contundência narrativa: “Este jogo da para um bom filme” pensou muita gente coma mim. A trama, mistura de comic negríssimo e cine de acçom, que o escritor finês Sami Järvi souvo introduzir no produto de Remedy Enterteiment conseguiu converter um TPS (Third-person shooter, ou Atirador em terceira pessoa) normalinho numha verdadeira homenagem para esse mesmo mundo do comic policial americano e os filmes de John Woo. Se calhar o maior mérito da equipa da produtora finesa foi converterem umha ferramenta visual inovadora -mas que podia resultar cansativa para o jogador- como o bullet time (tempo bala) em parte dumha trama complexa e escura, que misturava a corrupçom policial e social, a mitologia nórdica, as drogas de desenho, a prostituiçom, o ocultismo, e umha belíssima combinaçom do ambiente industrial-urbano e a pantasmal aura da eterna tormenta de neve. Todo isso conseguiu que eu goza-se da experiência de jogo de Max Payne. E por algumha razom, com todo esse material de qualidade, com todo essa trama e esse ambiente pensado para o próprio cine e a ajuda do pŕopio Sami Järvi -nos créditos como Sam Lake-, a adaptaçom de John Moore e Beau Thorne está na linha de todas as versons para a grande tela de video-jogos: Um produto vazio de conteúdo, com narraçom pobre, actores-maniquies que movem personagens sem pessoalidade por um ambiente falso e plastificado.

Max Payne

A culpa nom é dumhas mudanças -mínimas- ou omissons na trama -como a obsessom ocultista de Lupino que tanto ambiente criou no jogo-, mas do próprio produto em conjunto. A força visual das quadrinhos-frames do original, no que o contraste entre a cinza das ruas, o branco escurecido das neves e o vermelho ruibo do sangue fica na retina do jogador é transladado para o ecrám do cinema como se levasse umha capa de plástico de CGI, irreal, mas nom “irreal do bo”. Nom há nada onírico nas valkyrias dos pesadelos de Payne, só artificio digital barato que rompe o pouco tom narrativo do filme. O mesmo acontece co bullet time: De ferramenta narrativa e visual poderosa, passa para momento de “chiscadela para os jogadores” que de tam mal gravado, produzido e introduzido na trama produz vergonha. Porém, por muito que esses dous elementos visuais da trama fossem de mairo qualidade, isso nom amanharia o desordenado e pouco lúcido trabalho de guiom. E ainda com um um envelope visual aceitável e um guiom que conservasse a qualidade original toparíamos co grande problema do filme: A iniquidade dos actores. Mark Wahlberg demonstra mais umha vez que a sua carreira como actor é prescindível, e que todos ficaríamos agradecidos se trabalhasse mais como produtor -da excelente Entourage, por exemplo- e nom cometesse estas atrocidades interpretativas. Só de pensar na sua cara apampada na pele de Jack Salmon na futura The Lovely Bones (2009) perdo a pouca confiánça que conservava no cinema de Hollywood. De Amaury Nolasco (Jack Lupino) mantém a mesma faciana todo o filme, com umha mirada que demonstra que confundiu a enajenaçom mental do seu personagem por mor das drogas com umha liquaçom da massa encefálica. Beau Bridges confirma o que muitos pensamos: Que a sua interpretaçom em O bom alemán (2006) foi uma excepçom e que só se desenvolve bem na comédia televisiva.

Max Payne

Como nota final quero fazer um pequeno spoiler (do video-jogo e do filme) que cuido necessário para caracterizar a perda de força da adaptaçom: Umha(s) das cenas mais poderosas -desde o dimensom narrativa , “molestas” para jogar e intranqüilizantes som os os passeios oníricos pola velha casa dos Payne onde a sua mulher e filha (transmutado no filme em filho) morrerom assassinados. Nos primeiros, desde os sonhos culpáveis de Max, já resulta desassossegante, mas quando sofre a overdosse da droga Valkyr os recordos mudam num retrato de pesadelo que se deforma cada vez mais segundo está mais perto do quarto da criança. Os corredores som eternos, tingidos de sangue, as perspectivas e as sombras acurralam o personagem e a sensaçom dumha resoluçom terrível é constante. Todo isto acompanhado no choro in crescendo do bebe, que chega a se converter num berro desesperado -que realmente metia medo- que obrigava até a baixar o volume dos alto-falantes. A cena rematava com um labirinto inexplicável que ocupava o lugar do quarto da criatura, e que castigava com berros ainda mais doidos qualquer equivocaçom no percorrido -escuro e intuitivo-. Pois bem esta cena, que para muitos constitui um verdadeiro logro narrativo na história dos video-jogos, é substituída no filme primeiro por umha reconstruçom literal do crime -no que se suprime o sangue e qualquer marca de violência física, os clássicos mortos intactos de Hollywood- e depois por visons “encelestias” cheias de cores calidas e promessa de redençom para Payne. Cuido que com isto os jogadores originais ficaram desanimados, com razom, de gastarem os seus quartos em tempos de crise, e os possíveis espectadores despistados ficam avisados.

fer

6 Comments

  1. by odemo, on Outubro 27 2008 @ 9:33 p.m.

     

    1. Gosto do novo desenho do blog…
    2. O culmen da carreira de Wahlberg foi em New Kids on the Block.

  2. by ifrit, on Outubro 27 2008 @ 11:45 p.m.

     

    @odemo, o seu culmen foi como modelo de calz

  3. by la chumi, on Outubro 29 2008 @ 2:59 p.m.

     

    Hola

  4. by clipana, on Novembro 1 2008 @ 10:27 a.m.

     

    Me ha gustado bastante tu blog. Tiene los par

  5. by DIRTY CLOTHES, on Novembro 1 2008 @ 8:04 p.m.

     

    La familia Rufianes se siente m

  6. by Yonomeaburro, on Novembro 2 2008 @ 12:05 a.m.

     

    Esta noche estoy de votaciones en el concurso 20 minutos. Te has ganado 1 voto m

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